Ho ho ho

Início de mais um ano e as promessas são sempre as mesmas. Voltar pra academia, parar de fumar, passar mais tempo em casa com os filhos, exercitar-se mais, se divertir mais, arrumar um namorado, dentre outras. Agora não entendo por que não fazer ou ao menos tentar executar essas promessas mesmo durante o ano? Quer dizer que só posso fazer promessa e objetivos no começo do ano? Se eu conquistá-las então fudeu, vou fazer o que depois?  Sempre há motivos pra melhorar e tempo pra mudar. Fim de ano é sempre a mesma coisa. Vai chegando Novembro e as lojas já começam com a saga contra o tempo para estourar as vendas. É shopping lotado, ruas cheias, confusão e trânsito. Não sei, mas tenho a impressão de que Novembro lembra natal, natal lembra réveillon, réveillon lembra férias e férias lembra loucura. Parece que só perto das festas de fim de ano as pessoas resolver sair de casa, todas ao mesmo tempo e nas mesmas lojas, ou pelo menos na que eu estou. Na minha casa não temos muito costumes de festas e ceia, mas sempre passo na casa de amigos e escuto histórias. Sempre a mesma coisa, aquele encontro com familiares. Motivo de ir super arrumada (pra não dar motivo de falarem mal!), levar o prato já combinado pra ceia e contar que vai escutar as mesmas perguntas e casos do ano anterior. As tias são as mais engraçadas, contando mil casos, o que o filho fez ou deixou de fazer, namorou e aprontou. Já os tios se reúnem no canto contam piadas, tiram vantagens do carro que trocou, tiram sarros dos sobrinhos mais novos  que agora têm pêlos ou estão apaixonados pela amiguinha da escola. Pra quem namora é hora de usar a super risada sem graça da famosa pergunta de quando vai casar. Como responder sem chorar que tomou um pé na bunda do filha da mãe?!  Troca de presentes do amigo oculto. Reclamar do presente é fato. Lógico que ninguém tem bola de cristal pra saber o gosto de cada um, principalmente quando você tira aquele primo que vem do bairro afastado, que só vê no tal do natal. Gente, ceia meia noite não dá! As comidas são sempre gostosas, prefiro lógico as sobremesas, petiscos, nozes e as castanhas. Mas só não consigo entender quem inventou que arroz, farofa e pernil é bom? Aquela argamassa quando entala, nem vinho tira! Como se as passas da farofa mudassem alguma coisa!  Nem dá onze horas e criançada  já desmaia no sofá, agora só não sei se é de fome ou sono né?!  Tadinhos… Mas na hora de abrir presente que o papai noel (um primo qualquer vestido de santa claus) eles acordam na hora! Fato é que ninguém sabe e nem percebe a falta do falso papai noel, muito querido pelo visto! Natal é assim reencontro, bate papo, presente, comida, azia no dia seguinte. E a verdadeira comemoração natalina, pra onde foi? Acho legal quando há agradecimento e reunião com intuito de união positiva e não só consagração do consumismo.

Entrega pra 25

entrega_para_25_de_marcoPra quem não sabe o inferno tem endereço. Fica localizado na Rua 25 de Março, Centro, São Paulo, Brasil. É. Lá é o verdadeiro inferninho paulistano. De segunda a segunda o bicho come, quer dizer pega. Aliás, o bicho tem nome. O Rapa é mais conhecido entre os vendedores de “bigode” e “os cara” são anunciados de quando passam por frases como ” olha os meninos da escola”, além de assobios e gritarias. Tão conhecido como o Cristo no Rio de Janeiro, a 25 já pode ser considerada um ponto turístico de SP. Caldeirão borbulhante de sacoleiro, ambulante e pechincheiro é o paraíso das muambas. Sejam elas furtadas, genéricas ou de Taiwan (que não tem colocação no quesito qualidade) é rodeado de quinquilharias a preços tentadores. Só de chegar do metrô da ladeira Porto Geral já da pra ver o formigueiro pegando fogo, sente igual uma barata desnorteada, andando no meio da multidão. Dicas para ir a 25. Nunca em hipótese alguma agache no chão para comprar nada. Posso lhes dar várias razões para isso. Umas delas é que, quase sempre alguém te empurra, que seja o carrinho do vendedor de marmita, que não te viu ao passar. Segundo, se o bicho pega será pisoteada em instantes, sobrando,se der sorte, apenas a sua roupa do corpo. Três: cofre? Jamais! Não vai gostar em saber que vai ser motivo de parar os ambulantes tchuchucos vendo seu lindo cofrinho e rindo de você e se tornar a Miss 25! Nem se preocupe com os carros, quando passam na rua não conseguem passar de 10km/h. A rua é dominada pelo vendedores e barraquinhas. Pulseiras, bolsas, “grilos” de pedra, tira bolinhas, brinquedos, massageadores (que eles sempre colocam nas minhas costas quando e falta eu matar um) canetas, bonés, chocolate, piercing (só não me pergunte à procedência!) e se procurar bem pode achar até a sua mãe lá no meio! Então prefere ir ao shopping da 25 porque acha que irá encontrar as mesmas coisas só q de qualidade melhor. Mentira! Tudo a mesma coisa! Só algumas coisas que são realmente são “réplicas” e vendem mais caro. Japuringo de olho puxado é o que mais tem. Misturam-se os chineses, japoneses, coreanos, se bobear até indiano você acha! É muito olho puxado junto por metro quadrado. Mas se quiser comprar alguma coisa com eles não complica. Pergunta o preço, faz uma tentativa de pechincha e mais nada. Nada de perguntas como é a prova d’água?  Tem garantia? Como funciona? Serve pra que? Tá de sacanagem né… Mal sabem falar os números,  e você pergunta algo do tipo, eles sentem orgulho em comentar rindo com o outro olho puxado da sua cara de nada. Se conseguir funcionar quando chega em casa já é lucro! E não se espante se alguém te abordar na rua querendo vender algo que nunca imaginou comprar como um apito de imitar gato e sons estranhos. Sem finalidade alguma, mas compra.

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